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Lugares Escuros | Gillian Flynn | Thriller Psicológico | Intrínseca | 2015 | 352 pág | ★★★★☆

Sinopse: Libby Day tinha apenas sete anos quando testemunhou o brutal assassinato da mãe e das duas irmãs na fazenda da família. O acusado do crime foi seu irmão mais velho, que acabou condenado à prisão perpétua. Desde aquele dia, Libby passou a viver sem rumo. Uma vida paralisada no tempo, sem amigos, família ou trabalho. Mas, vinte e quatro anos depois, quando é procurada por um grupo de pessoas convencidas da inocência de seu irmão, Libby começa a se fazer as perguntas que até então nunca ousara formular. Será que a voz que ouviu naquela noite era mesmo a do irmão? Ben era considerado um desajustado na pequena cidade em que viviam, mas ele seria mesmo capaz de matar? Existiria algum segredo por trás daqueles assassinatos? Gillian Flynn intercala a trajetória detetivesca de Libby com flashbacks dos acontecimentos do dia dos crimes com tanta habilidade que o leitor é levado a diferentes direções. Escrito com primor, Lugares escuros não só mostra como a memória é passível de falhas, mas também evidencia as mentiras que uma criança pode contar a si mesma para superar um trauma.

Ultimamente tô numa vibe de me aventurar em gêneros literários que não tenho o hábito de ler e veja só este que vos trago hoje: a resenha de um thriller psicológico que eu gostei demais! 

Pois é minha gente, eis um thriller que não me deixava dormir direito enquanto o mistério não tivesse sido se resolvido. 

Depois de uma certa resistência, Libby resolve investigar o seu passado e os personagens que poderiam ou não estar envolvidos no assassinato de sua família. Conheceremos a família Day nos acontecimentos que antecederam o massacre, bem como algumas outras personalidades que envolvem a história. 

Como já falei anteriormente, eu adoro quando o livro nos trás narrativas alternadas e em Lugares Escuros vemos o desenrolar do passado com dois personagens diferentes se alternando (o irmão e a mãe de Libby – ambos em 3ª pessoa), e no presente, a própria Libby Day buscando informações e ligando os pontos do presente. E afirmo com toda certeza que esse foi o ponto chave da trama, deu a ela uma dinamicidade perfeita onde eu não conseguia largar o livro, e quando pausava, ficava pensando nele. 


A Gillian Flynn tem uma escrita fluida e a gente nem sente que já avançou vários capítulos. O desenvolvimento foi um pouco lento no começo pois a protagonista buscava e não encontrava informações; mas depois que tudo começou a fazer sentido e ela começou a ligar os pontos, foi que a trama deu uma alavancada com aqueles finais de reviravolta e muita ação que te fazem esquecer de respirar. 

Recomendo a leitura se você quer se aventurar no gênero literário; e aos que já conheciam a obra, como foi a leitura pra vocês?

A Profecia das Sombras | As Provações de Apolo | Rick Riordan | Fantasia | Intrínseca | 2017 | 336 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐ 

Sinopse: No segundo volume da série As provações de Apolo, o ex-deus olimpiano terá que libertar um oráculo assustador das mãos de um velho conhecido.Não basta ter perdido os poderes divinos e ter sido enviado para a terra na forma de um adolescente espinhento, rechonchudo e desajeitado. Não basta ter sido humilhado e ter virado servo de uma semideusa maltrapilha e desbocada. Nããão. Para voltar ao Olimpo, Apolo terá que passar por algumas provações. A primeira já foi: livrar o oráculo do Bosque de Dodona das garras de Nero, um dos membros do triunvirato do mal que planeja destruir todos os oráculos existentes para controlar o futuro.Em sua mais nova missão, o ex-deus do Sol, da música, da poesia e da paquera precisa localizar e libertar o próximo oráculo da lista: uma caverna assustadora que pode ajudar Apolo a recuperar sua divindade ― isso se não matá-lo ou deixá-lo completamente louco.Para piorar ainda mais a história, entra em cena um imperador romano fascinado por espetáculos cruéis e sanguinários, um vilão que até Nero teme e que Apolo conhece muito bem. Bem demais.Nessa nova aventura eletrizante, hilária e recheada de péssimos haicais, o ex-imortal contará com a ajuda de Leo Valdez e de alguns aliados inesperados ― alguns velhos conhecidos, outros nem tanto, mas todos com a mesma certeza: é impossível não amar Apolo.

E aí gente linda! Tudo bem com vocês? 

A resenha de hoje é do livro de um autor que me acompanha desde 2010! Estamos falando de A Profecia das Sombras, 2º volume da série As Provações de Apolo escrita pelo glorioso Rick Riordan. 

Continuando os acontecimentos do término do 1º livro, agora Apolo, ciente de seu castigo na Terra no corpo de um mortal comum chamado Lester Papadopoulos, e também ciente de sua missão de encontrar os Oráculos antes que seu arqui-inimigo, o Triunvirato do mal, os encontre e os controle/destrua, ele precisa domar o seu ego inflado e lidar com muitas questões acontecidas centenas de anos atrás. 


Eu não sei como o Rick Riordan tem criatividade pra continuar criando e criando e criando sempre mais. Mesmo com a fórmula do mais do mesmo de suas séries, ele nos apresenta a novos deuses, a um casal de ex-caçadoras de Ártemis e a um imperador sanguinário que pelas pessoas o idolatrarem acabou virando um deus! Meu coração também não aguentou quando viu que Léo (semideus filho de Hefesto) e Calipso (uma feiticeira passou milênios presa em uma ilha que ninguém encontrava) quem acompanharia Apolo nessa missão. O cenário? Os Estados Unidos!

Uma coisa que eu tenho curtido muito nos últimos livros do tio Rick é que ele vem inserindo a representatividade LGBT em suas histórias, como exemplo, a bissexualidade do deus Apolo desde os primórdios do mundo, somado a muita aventura e piadas verdadeiramente engraçadas do tipo que te fazem rir alto, pois se encaixam perfeitamente no contexto. 


Essa foi outra de minhas leituras que eu não vi o tempo passar enquanto lia, e que fiquei chocada com a velocidade que terminei o livro, já querendo o terceiro volume, chamado O Labirinto de Fogo. 

Atualmente a série possui 4 livros (O Oráculo Oculto, A Profecia das Sombras, O Labirinto de Fogo e A Tumba do Tirano), com o 5º programado pra lançar em novembro de 2020 chamado A Torre de Nero. 

Se eu indico a leitura? COM TODA CERTEZA!

The Heart of Betrayal | Crônicas de Amor e Ódio | Mary E. Pearson | Fantasia | Darkside | 2016 | 400 pág | ⭐⭐⭐⭐ 

Sinopse: Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao Vendan Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela.Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os Vendans, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família... e seu próprio destino.Não faltam reviravoltas nessa incrível fantasia que integra a linha Darklove - Mary E. Pearson vai deixar os leitores sem fôlego nesse segundo ato de uma trilogia que ainda promete arrebatar o coração de muitos. 
E aí gente linda! Tudo bem com vocês? Por aqui tá tudo certinho! 

Hoje vou trazer a resenha pra vocês de The Heart of Betrayal, 2º livro da série Crônicas de Amor e Ódio escrito pela Mary E. Pearson. 

Esse 2º livro dá continuidade aos acontecimentos do 1º onde Lia, a princesa fugitiva do reino de Morrigan é capturada pelos bárbaros de Venda, inimigo mortal e muito conhecido; e levada como prisioneira. Vendo sua amada em tais condições, Rafe, príncipe de Dalbreck inventa uma mentira das boas pra poder se infiltrar em Venda e acompanhar os passos de Lia e salvá-la posteriormente. 


Em The Heart of Betrayal somos apresentados ao Reino de Venda e toda a sua cultura, completamente diferente das riquezas e confortos de Dalbreck e Morrigan. Constituído de ruínas tão antigas quanto os próprios deuses, terras inférteis e um inverno rigoroso, o reino de Venda surpreende Lia ao apresentar um povo pobre e supersticioso, mas com uma chama de esperança de que dias melhores virão, pois acreditam que Lia faz tarde de uma antiga profecia. 

Venda é regida pelo temível Komizar, um bárbaro sem escrúpulos, porém inteligente o suficiente para permanecer no poder por tanto tempo. Seu braço direito é Kaden, com quem Lia sente repulsa e apego ao mesmo tempo. A maior parte do livro se passa em Venda, com Lia como prisioneira onde aos poucos vai conquistando a confiança do povo, Rafe tentando sobreviver e ficar junto de Lia, Kaden tentando proteger Lia e o Komizar fazendo de tudo possível pra ganhar mais poder. 

Soma tudo isso a escrita envolvente de Mary E. Pearson, com os cenários minuciosamente detalhados, a história é toda pelo ponto de vista de Lia, mas com alguns poucos e curtos capítulos narrados por Kaden ou Rafe. Também temos um pequeno desenrolar da história de Pauline e do pessoal da taberna em que lia passou parte do tempo do primeiro livro. 


Gente, eu não sei se isso já aconteceu com vocês, mas eu nunca li um livro longe tão rápido quanto esse! A leitura flui muito bem, do tipo que quando você acha que vai ficar chato, a autora vai lá e coloca mais um emoção! 

Resumindo, essa continuação nos aproximou ainda mais dos personagens, e nos apresentou muitas possibilidades para o desenrolar da trama, com boas doses de romance e aventura e uma pitada de fantasia, já que o dom de Lia ainda não foi tão explorado quanto merece. Já quero ler o próximo pra ontem! Kkk 

E vocês, o que tem lido nos últimos tempos? Gostam desse tipo de leitura? 

Príncipe Drácula | Rastros de Sangue | Kerri Maniscalco | Horror | Darkside | 2019 | 480 pág | ⭐⭐⭐⭐ 

Sinopse:  Audrey Rose Wadsworth está longe de ser uma típica donzela em perigo da era vitoriana. Com um bisturi em mãos e um olhar clínico para decifrar os segredos dos mortos, ela foi peça-chave na solução do caso de Jack, o Estripador. Agora, um outro assassino em série ameaça espalhar terror — enquanto drena cada gota de sangue de suas vítimas.

Olá gente linda! Como vcs estão? Por aqui Ta tudo bem!!

"Eu havia aprendido que confiar naqueles que pareciam inocentes só levava a corações partidos e devastação. Os monstros podiam exibir sorrisos amigáveis e, ao mesmo tempo, exalar a alma podre do diabo nas fendas mais escuras de si mesmos." p. 282


Gente, que livro, que trama, que autora 🖤

Segundo livro da série Rastros de Sangue (o 1° foi "Jack, o Estripador" e tem resenha no feed), O Príncipe Drácula segue os passos de Audrey Rose que, com a determinação de se aprofundar nos estudos e se tornar numa médica forense, parte para a Romênia com sua pitoresca e possivelmente assombrada escola de medicina; isso por que o castelo que habita a escola foi onde Vlad Drácula e seus sucessores moraram.

Claro que assassinatos misteriosos começam a acontecer dentro e fora do Castelo e Audrey precisa, além de vencer os fantasmas psicológicos de seu passado, se concentrar no presente para desvendar esses crimes; tudo isso na companhia de Thomas Cresswell, um jovem galanteador (e meu crush literário) e extremamente inteligente.


Finalmente a autora começou a desenvolver o romance dos dois protagonistas, pois no primeiro livro ela somente ensaiava o love, e neste, ela ligou as engrenagens de fato.

A autora conduziu a trama com muita maestria, foi daquele tipo de leitura que vc não consegue largar. Toda narrada pelo ponto de vista de Audrey Rose, somos apresentados a Romênia antiga e sua gloriosa paisagem de florestas e nevascas de forma mais gótica.


Sobre a edição, só posso dizer que a darkside deu um show novamente. Em capa dura, temos um mapa de parte da Romênia e uma fita de cetim vermelha de marca páginas.

Recomendo a experiência para um fã de mistério com uma pegada romântica gótica. Excelente leitura.

Fahrenheit 451 | Ray Bradbury | Ficção Científica | Biblioteca Azul | 2012 | 216 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐💜 

Sinopse: A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre.Fahrenheit 451 é dividido em três partes: A lareira e a salamandra, A peneira e a areia e O clarão resplandecente. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.


Eu estava numa baita ressaca literária que durou exatos 3 meses e não sabia como sair disso. Depois de várias dicas e indicações de livros, resolvi dar uma chance a uma obra que estava encalhada na minha estante e, por ser um clássico de poucas páginas, fui acreditando que daria certo. E deu!

O livro foi escrito após a segunda guerra mundial, e, na época classificado como uma ficção distópica, hoje vemos que infelizmente é uma coisa que poderia facilmente acontecer. Guy Montag é um bombeiro cujo trabalho é incendiar livros. Isso mesmo minha gente: bibliotecas era vistam como clandestinas e quem portava livros eram criminosos.


Contudo, o véu percepção de Montag a cerca de seu trabalho começa a cair quando ele se depara com uma jovem menina chamada Clarisse McClellan que o questiona a cerca de muitas coisas sobre a alienação vivida em massa pelas pessoas e principalmente sobre a vida que ambos vivem. É a partir daí que se desencadeiam muitos pensamentos na cabeça de Montag e ele passa a buscar respostas do por que as pessoas terem essa relação com os livros.

Apesar da escrita ser de décadas atrás, o autor escreve de maneira muito fluida e fácil compreensão. É uma narrativa em terceira pessoa, mas que te acolhe e te conduz por entre a trama e te faz querer saber mais e mais sobre essa distopia.


O livro é dividido em 3 partes: A Lareira e a Salamandra; A Peneira e a Areia; e O Brilho Incendiário.

E uma curiosidade sobre o título: 451 graus Fahrenheit (ou 233° graus Celsius) é a temperatura necessária para que um papel se queime.

Obs.: Meu notebook deu pau tem um tempão, por isso que tô sem atualizar por aqui. Mas consegui recuperar um note antigo e vou tentar usar ele pra não deixar esse cantinho abandonado. Enfim, se quiserem se manter atualizados, basta acompanhar nossa página no instagram, tá sendo bem mais fácil de postar por lá. Um abraço a todos e até o próximo post!

Eles | A. T. Sérgio | Fantasia | Editora Luva | 2019 | 188 pág | ⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: O que deveria ser um dia festivo, durante a promoção de aniversário de uma loja de doces, se transforma em caos quando criaturas atraídas pela reflexão da luz invadem a pequena e interiorana cidade de Santa Clara da Paciência, durante o verão de 1994. Adalberto Flores Masseiro, um comerciante de quarenta anos, sedentário e apegado a uma rotina tranquila, precisa se adaptar para sobreviver em meio ao desparecimento de habitantes e o surgimento de situações em que suas capacidades física e mental são levadas a extremos perigosos. Quem são “eles”? De onde vieram e o que procuram? Essas são as perguntas que o acompanham e levam a escrever seu relato pessoal e sombrio, descrevendo os acontecimentos do tempo em que passou em fuga. Ele sabe que precisa “não olhar para ver” e monta um plano para tentar se livrar desses seres sinistros. Ele pode perder tudo, até a própria vida, mas há muito mais em jogo, dependendo exclusivamente de sua capacidade de agir.


Demorou mas saiu a resenha de mais uma parceria sensacional que eu tive o prazer de ter! Recebi o convite pra ler essa ficção científica nacional e não tive nenhum arrependimento nisso. Por que será? Eles conta a história da cidade pacata chamada Santa Clara que protagoniza um acontecimento que vai mudar sua existência pelo resto dos tempos.


Adalberto, mais conhecido como seu Beto tem uma loja de doces e, no que era pra ser um festivo dia de seu aniversário, os seres conhecidos como "Eles" aparecem na cidade causando a maior confusão. Atraídos pela luz, esses seres absorvem a energia dos seres humanos para si, com o intuito de não despertar um mal maior feito de trevas de outro mundo (oi?) Isso mesmo, com o objetivo de não fazer mal ao mundo deles, eles fazem mal ao nosso mundo; outro ponto bem criativo da trama é que esses seres não são visíveis a olho nu, apenas os percebemos em nossa visão periférica, podendo enxergá-los também através de qualquer objeto refletivo. "É preciso não olhar para ver".


Parece loucura, e eu demorei alguns dias pra processar a história desse livro e depois de compreendida achei genial!

Um infanto-juvenil de qualidade, que segue a linha da ficção científica de seres de outro plano, com a fantasia de um mundo paralelo ao nosso, coisa que vimos aos montes por aí hoje em dia nas histórias. É basicamente uma mistura das histórias da coleção vagalume com uma pitada da série Stranger Thins, ambas coisas que adoro.


Após os acontecimentos iniciais na loja de doces de seu Beto, ele se junta a Clara, uma menina ruiva muito esperta e inteligente, e partem em busca de respostas para os acontecimentos. A partir daí é eita atrás de eita em uma narrativa rica em detalhes que te fazem viajar de verdade. De uma escrita fluída, própria ao público alvo, o autor consegue nos transportar para um mundo fantástico, paralelo ao nosso, e nos faz questionar se isso poderia estar acontecendo neste exato momento de verdade.

Sobre A. T. Sérgio (o Autor)
Escritor pernambucano, romancista, organizador e participante de antologias nos gêneros terror, suspense, mistério e policial, publicado por diversas editoras nacionais e através da plataforma independente da Amazon. Autor Hardcover, plataforma de aperfeiçoamento da escrita desenvolvida pela Vivendo de Inventar, teve seu livro “Eles” como finalista do prêmio SweekStars, edição 2018. Colunista do portal “Literanima”, publica textos periódicos sobre criatividade e forma de escrita. Redator da revista digital "A Arte do Terror", exerce também o cargo de Diretor Financeiro na Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror – ABERST.

Numezu | Jorge Alexandre Moreira | Terror | Editora Monomito | 2019 | 184 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: É a última chance para Laura e Raoul. Mentiras, drogas e traição arrastaram seu casamento ladeira abaixo e eles apostam suas últimas fichas nas férias em um veleiro. Os dois isolados, em um lugar de sonho. Se não funcionar, o que funcionaria? Mas Raoul volta de um mergulho trazendo uma estranha e antiga estátua. A imagem de um ser esquecido, aprisionado por uma terrível maldição. Sob sua influência, Raoul enlouquece e Laura terá que lutar pela própria vida. Enquanto isso, em terra, Gaspard, um jovem francês, foge desesperadamente de seus próprios demônios. Por destino ou acaso, os caminhos de todos eles estão prestes a se cruzar. Com consequências assustadoras.


E foi mergulhando de cabeça na literatura nacional que resolvi entrar nessa empreitada de ler Numezu e acreditem em mim quando digo que não me arrependi nem um pouquinho em abrir os olhos para um terror nacional de qualidade.

Esse livro foi recebido em parceria com o autor Jorge Alexandre Moreira e conta duas histórias paralelas, com a narrativa alternada entre Gaspard, um jovem que depois de muitos questionamentos resolve dar um basta em seu relacionamento digamos que abusivo emocionalmente, e com o sentimento de evitar o máximo contato possível de sua ex sai em disparada rumo ao sul da França usando os últimos centavos que lhe restam.


Do outro lado, vemos um casal que parte em uma luxuosa viagem a bordo de um veleiro particular em busca de resgatar o amor há muito tempo perdido. Com mentiras, drogas e traição como base do relacionamento, Laura e Raoul vêem nessa viajem uma chance de salvar seu casamento. Praticante de mergulho, Raoul parte mar a fundo e retorna com um achado que o encanta a primeira vista, uma estátua de um deus/demônio que viveu eras antes e vê em Raoul a oportunidade perfeita de usá-lo para reencarnar em seu corpo e continuar a fazer as atrocidades que fazia quando era feito de carne e osso.

Eu nunca tinha lido uma história com uma narrativa tão aterrorizante e crua, mas que ao mesmo tempo soa como poesia, visto que a narrativa é fluida e direta. Mesmo com o terror e as cenas que o envolvem, nos importamos com os personagens e com o destino que eles possam ter a cada ato realizado. Essa imersão na trama se deu logo na primeira página, e foi como se eu estivesse hipnotizada e não conseguisse parar de ler o livro enquanto não chegasse no ponto final.


A história se desenvolveu muito bem, todos os cenários muito bem detalhados, e o tema de fundo sendo o verão francês me encantou muito. No final, temos uma surpresa já esperada quanto as duas tramas que se desenvolviam paralelamente, contudo o desenrolar de Laura é que me afligia muito, haviam vários desenrolares para o final dela, mas o autor resolveu dá-la o melhor possível e conseguiu aquecer meu coração lá na última página.

Recomendo a leitura, mas se você é sensível a temas como abuso, uso de drogas e afins, pode ser uma leitura difícil.

Compre o livro Numezu na Amazon ou no site do Autor.

Sobre Jorge Alexandre Moreira (o Autor)
Jorge Alexandre Moreira é tão velho que vendeu assinaturas de TV a cabo de porta em porta e trabalhou em loja de CDs. Leitor ávido desde sempre, devoto de Stephen King, Clive Barker, Rubem Fonseca e Jorge Amado, foi militar do Exército por quase 6 anos, tentou vender joias - sem nenhum sucesso - e teve uma passagem infernal por uma rede de supermercados francesa, onde trabalhar de 12 a 14 horas por dia, sem receber um centavo de horas extras, fazia parte da rotina. Seu romance de estreia, "Escuridão", uma história de terror ambientada na Amazônia, com um conflito entre Brasil e EUA como pano de fundo, foi considerada pelos sites Biblioteca do Terror e Acervo do Leitor como um dos melhores livros de terror já publicados no Brasil.  Em 2018, lançou "Parada Rápida", uma novela de suspense sobre o misterioso desaparecimento de uma mulher, em um posto de gasolina, durante uma viagem de férias. Participou das duas edições do Ghost Story Challenge, com contos nas antologias "Confinados" e "Numa Floresta Sombria".  Seu último lançamento, "Numezu", conta a história de um casal em crise, isolado em um veleiro, enquanto o marido enlouquece, por conta de uma influência demoníaca.

Vilãs | Clara Madrigano | Antologia | Editora Corvus | 2019 | 174 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: Madrastas. Rainhas más. Princesas injustiçadas. Mulheres traídas. Vilãs nos acompanham desde os primeiros contos de fadas, destinadas à derrota para que os heróis possam triunfar. Agora, vamos conhecer as versões delas. De maçãs envenenadas a vinganças de feiticeiras traídas, a antologia VILÃS desperta o lado mais obscuro da fantasia.

Desde criança eu sempre tive uma afeição pelos vilões que eu acompanhava na telinha, e mesmo com os arrepios que eles me faziam sentir, eu tinha uma mega curiosidade em saber como era a vida deles "por trás daquela história" (tanto que tinha sonhos muito loucos com os vilões, onde eles visitavam a minha casa ou vinham conhecer o meu bairro, coisa de criança mesmo kkk).


Fruto dessa parceria maravilhosa com a editora Corvus, pude escolher pra conferir esse livro de contos que retrata o lado das vilãs (algumas da disney, outras da vida) de uma forma muito surpreendente. Sério gente, eu achei que seria tudo muito colorido e que as vilãs teriam uma justificativa aceitável para fazerem o que fizeram, mas não! Com narrativas sombrias, descobrimos a cada conto que nem sempre precisamos de um motivo para nos tornarmos vilãs, as vezes o próprio destino nos leva a conhecer um lado obscuro que nem imaginávamos ter dentro de nós mesmos.


Composto de 10 contos escritos por 10 escritoras, o livro Vilãs nos faz viajar nessa antologia onde as mulheres recebem e merecem os holofotes que lhes são dados, indo de vilãs da Disney até as vilãs do folclore. Não tenho o que reclamar da narrativa, todas elas fluíram com a mesma facilidade que um rio corre em seu leito. 
Os Contos são:
01. Abandonada;
02. A Mais Bela;
03. A Face da Inocência;
04. Bendita Seja a Criação, Maldita é a Criatura;
05. Mal de Ojo;
06. Marcada;
07. Os Sóis de Maria;
08. A Assassina do Príncipe;
09. Ao Ouvir os Sussurros da Morte, Ela Respondeu; e
10. A Natureza das Minhas Intenções.
Recomendo muitíssimo essa leitura, nos tempos atuais em que mulheres estão buscando o seu espaço merecido na sociedade, nada como uma boa leitura escrita e organizada por mulheres, mas que todos podem desfrutar sem exceções!

A Casa do Penhasco | Agatha Christie | Mistério | L&PM Pocket | 2011 | 224 pág | ⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: Uma semana de férias no ensolarado litoral da Cornualha... Esse parecia ser o cenário perfeito para coroar o fim da brilhante carreira do detetive Poirot, ao lado de seu inseparável companheiro, o capitão Hastings. No entanto, o clima de tranquilidade é quebrado quando eles conhecem a srta. Buckley, uma jovem de ar rebelde e herdeira da Casa do Penhasco, que diz ter escapado da morte diversas vezes nos últimos dias. Seriam meros acidentes? Ou haveria alguma explicação sinistra por trás disso? Empolgado, Poirot decide abandonar os planos de aposentadoria e volta à ativa para mais um intrigante caso que testará todas as suas habilidades.

O Detetive Belga, de férias em um luxuoso hotel com seu parceiro, o capitão Hastings, está se sentindo velho e cansado e já auto-intitulado aposentado, se depara com uma clara tentativa de assassinato. A senhorita Nick Buckley é uma mulher solteira, que, além de herdeira de uma enorme mansão no alto de um penhasco, tem personalidade alegre, inteligente e querida por todos que a conhecem. Recentemente a jovem tem sofridos pequenos acidentes quase que fatais e, o ultimo, onde imaginava uma abelha zunindo em seu rosto na verdade era uma bala cruzando a aba de seu chapéu.


Poirot então decide entrar no caso e descobrir quem está por trás desses acidentes que poderiam ter tirado a vida da Srta Nick. Confesso que achei a trama um tanto quanto diferente, e talvez se deva ao fato de eu ainda não estar acostumada com a escrita da Agatha, mas temos uma até então tentativa de assassinato, e só no meio do livro tem de fato um assassinato.

No livro somos apresentados a trama e à teia de personagens que a compõem, conhecendo seus defeitos, qualidades e motivos que os levariam a cometer tal crime, típico de um romance policial. A autora dá a possibilidade de vários suspeitos terem cometido o crime, e a partir de um ponto da história nos direciona a apenas um suspeito, contudo, não foi este quem cometeu o crime. A narrativa é em primeira pessoa, sobre o ponto de vista do capitão Hastings, que, como um amigo de Poirot acaba sempre dando opiniões sinceras sobre o jeito de ser e agir exibido do parceiro.

Achei a história desse livro um pouco fraca comparando com as outras que tive da autora, mas talvez isso se deva ao fato de que parte dela é de reflexões de Poirot sobre a vida e sobre o quanto ele vê que o caso está sendo difícil de se resolver, ele se vê encurralado e muitas vezes sendo enganado pelo assassino. Mas a boa notícia é que o bem sempre vence e é o que acontece na trama.


A edição pocket é bem simples, com fontes e espaçamentos reduzidos, mas com folhas do miolo em offwhite o que não dificultou nem um pouco a leitura. Pra um livro adquirido na black friday por R$10,00 não tenho o que reclamar.

No mais, acho que é um livro muito pouco falado da Agatha Christie, mas que também merece destaque aqui nesse cantinho.

The Kiss of  Deception #01 | Crônicas de Amor e Ódio | Mary E. Pearson | Romance/Aventura | DarkSide Books | 2016 | 406 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma menina de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre o reino de Dalbreck através de uma aliança política.


Eis que o final de 2019 me trouxe uma grande surpresa com essa leitura que decidi não sei por quê motivos tê-la. The Kiss of Deception é o primeiro livro de uma trilogia chamada Crônicas de Amor e Ódio e nele somos apresentados a Lia, a primeira filha que para apaziguar os ânimos políticos é prometida pelos pais a se casar com o príncipe de Dalbreck. Inconformada com a situação em que foi colocada, Lia foge com Pauline, sua criada e melhor amiga, e decide viver uma vida "de gente normal" na cidade vizinha, chamada Terravin, onde passa a trabalhar em uma espécie de taberna que pertence a uma tia de Pauline. Apesar dos esforços para apagar seus rastros, elas acabam sendo encontradas por um assassino contratado para matar Lia e pelo príncipe rejeitado por ela no dia do casamento, e aí é que tá o samba do crioulo doido: ninguém sabe quem é quem e a trama se desenvolve quase que completamente nessa vibe.


Esse é o meu primeiro contato com a escrita de Mary e confesso que estou muito surpresa. Não esperava algo tão envolvente, rico em detalhes e que não te desse vontade de largar a leitura. A última vez que isso aconteceu foi com a trilogia de Corte de Espinhos e Rosas e me senti uma orfã quando udo acabou.

Todo o livro é narrado em primeira pessoa pela protagonista Lia, com poucos e pequenos capítulos narrados pelo príncipe e pelo assassino que, ao desenvolverem a trama com Lia, acabam por meio que formarem o início do que seria um triângulo amoro fazendo com que o foco do livro seja o romance. Porém, não um romance qualquer, mas sim um com cenário na era medieval onde vikings e "civilização" estão em conflito, fato esse que faz com que a política seja uma das engrenagens principais da história.


Ainda assim com cenas de aventuras de tirar o fôlego, ao que a trama vai se desenrolando para o final é inserido a fantasia e um toque mágico é deixado: segundo a tradição, todas as primeiras filhas do reino de Morrigan recebem o dom da visão, um tipo de clarividência que Lia até então não acreditava possuir.

Outra coisa bem interessante foi que a autora passou longe de nos deixar na companhia de uma protagonista doce e frágil (que por sinal esse é o papel de Pauline). Lia é uma mulher forte e determinada, muito a frente do seu tempo, que impõe aquilo que quer e muitas das vezes, incompreendida, acaba tendo a fama de uma mulher que não sabe o seu lugar no mundo.


O final foi bem surpreendente, confesso que não esperar uma atitude como aquela do príncipe, mas que loucuras um homem apaixonado é capaz de fazer, não é mesmo? Mais surpreendentemente ainda é a possibilidade de conhecer mais um novo mundo, que acredito que será apresentado no próximo volume.

A edição da darkside é linda, impecável como sempre, veio com um pôster onde a imagem é a capa do livro, em capa dura, com muitas imagens de mapas e folhas em offwhite.

Foi com medo de pegar uma ressaca literária que não comecei a leitura do segundo livro de imediato, mas pretendo fazer isso muito em breve, pois não aguento mais de ansiedade.

Limbo | Thiago D'Evecque | Fantasia Sombria | Amazon | 2015 | 243 pág | ⭐⭐⭐⭐⭐

Sinopse: O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar. Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico. Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista. O espírito descobre mais sobre quem realmente é, ouve uma versão completamente diferente sobre a rebelião dos anjos e é presenteado com uma surpresa de péssimo gosto. LIMBO mistura elementos e referências de videogames, RPGs, HQs, animes, mangás, filmes, séries e livros. De Lovecraft a Final Fantasy, é uma homenagem às influências que marcaram o autor.

Eu tava procurando por uma fantasia nacional que fosse curta, mas que fosse de qualidade pra continuar minhas leituras de final de ano. Eis que me deparo com Limbo e tive uma surpresa muito agradável ao mergulhar de cabeça nessa história. Confesso que essa foi uma das melhores leituras de 2019 e é com muito carinho que trago essa resenha pra vocês.


A história começa com uma certa alma no limbo acordando de um sono milenar e recebendo uma missão: devolver doze almas ao mundo dos humanos com o objetivo de salvar a terra das garras dos próprios seres humanos (guerras, conflitos, políticas, violência, corrupção). Ao acordar o protagonista não se recorda de seu nome, de sua história e muito menos de sua aparência, ele é penas um borrão luminoso com consciência que precisa cumprir sua missão e com isso vai em busca da primeira alma.

Todas as doze personalidades são escolhidas a dedo pelo protagonista, cada uma com uma virtude que será muito necessária no mundo dos humanos, como humildade, amor, persuasão, liderança, entre muitas outras. E a volta que o autor dá em todos os mundos fantásticos e de uma criatividade que não tem preço! Vemos de um anjo caído até um rei das principais lendas britânicas sendo mandados de volta a Terra. E por falar em anjos, o contexto que embasa a história é sobre a rebelião dos seres celestiais e suas consequências são o que deu origem a narrativa do livro milênios depois.

Com muitas lutas de espadas recheada de ação e reflexões sobre virtudes pude conhecer diversas lendas de feitos heroicos que jamais imaginei existir, e outras que me deparei eu já até então conhecia.

A escrita do Thiago é fluida e envolvente de um jeito que faz você ler capítulo após capítulo e não se sentir cansado da história; pelo contrário, ele instiga a nossa curiosidade ao ponto que a trama vai se desenvolvendo e vamos querendo saber qual será a próxima personalidade a ser enviada para a Terra e qual a verdadeira identidade do tal "ceifador de almas já ceifadas".


Outro ponto bem bacana são os pontos cômicos da trama que ficam por conta de um demônio racista, megalomaníaco e rabugento há muito esquecido que está aprisionado na arma que o protagonista utiliza em toda a história.

O final foi um tanto quanto previsto, mas extremamente necessário e todas as pontas soltas foram muito bem amarradinhas e posso até dizer que nas últimas páginas meu coração ficou quentinho.

Recomendo muito a leitura, é uma fantasia nacional de muita qualidade.

O Oceano no Fim do Caminho | Neil Gaiman | Fantasia | Intrínseca | 2013 | 208 pág | ⭐⭐⭐⭐

Sinopse: Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas.

Eu amo a escrita do Neil Gaiman e os mundos que ele cria, então eu nem sei por que esse livro tava empacado na minha estante. Talvez deva ser pelo tamanho dele que não se destaca frente aos outros livros quando vou pegar uma nova leitura na estante. Pois bem, me arrependo de não o ter lido antes!


A história começa com um rapaz que retorna a cidade onde passou a infância depois de 40 anos para um velório. Ninguém sabe de que é o velório e ninguém sabe qual o nome do protagonista, façanhas que só Neil Gaiman consegue fazer, uma trama onde nunca é dito o nome do personagem principal kkk Continuando, esse homem retorna e decide pegar a estradinha de terra que leva a casa no final dela onde ele e sua amiga Lettie Hempstock passaram senão a maior e mais perigosa das aventuras. A partir daí, o homem começa a relembrar o passado e a história passa a ser narrada pelo seu eu de 7 anos de idade e em primeira pessoa.


Tudo começou com um suicídio que despertou uma força maligna, uma espécie de demônio, capaz de dar aquilo que o ser humano mais deseja. É aí que ele conhece Lettie e ambos partem o que seria um mundo paralelo para aprisionar esse ser, que acaba fazendo do garoto uma ponte para se instalar no mundo dos humano e muita coisa passa a acontecer desde então.


Amante de livros e fantasias, o menino passa a viver o que ele achava que só encontraria em suas leituras: uma trama assustadoramente fantástica, que nos mostra o poder do amor, da amizade e da confiança, repleto de sentimentos que temos quando éramos crianças (e que se bobear temos até hoje), como o medo do escuro, de perder a família e de ficar sozinho pra sempre.

Não poderia deixar de destacar que Gaiman deixou um papel importantíssimo para as mulheres da trama: a vilã é uma mulher e as heroínas que salvam o mundo também são mulheres!


Mais uma épica leitura de um dos meus autores favoritos não poderia ser diferente. A leitura é fluída e rápida, tudo isso devido a escrita perfeita de Neil Gaiman e a diagramação impecável da editora Intrínseca. A capa é muito condizente com a história que se passa, coisa que raramente acontece nos livros. Resumidamente, o que era pra ser só mais uma fábula sobre curiosidade e imaginação infantil, passa a ser uma linda história onde as experiências que temos na infância afetam nossa vida adulta. 

Um livro pequeno mas com um potencial gigantesco.

Sobre Deuses e Seres Rastejantes | A Balada de Gundrum | Piaza Merighi | Fantasia
Talentos da Literatura Brasileira | 2019 | 288 pág | ⭐⭐⭐⭐

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Sinopse: Aldaman é um continente que foi abandonado pelos deuses, uma terra selvagem deixada à própria sorte, onde humanos e raças bestiais convivem em desequilíbrio. Gundrum, um de seus habitantes, é um minotauro franzino e deformado que ocupa o posto de bruxo de sua aldeia, lidando com rituais e feitiços para proteger seu povo, mas sendo desprezado pela natureza maligna das forças que ele manipula.Quando um arauto de aberrações além da compreensão decide iniciar uma cruzada fanática por todo o continente, afetando a sua aldeia, Gundrum deve se unir a improváveis aliados e colocar seu conhecimento e sua força à prova para descobrir o que está por trás dos sinistros cultos propagados pelo estranho clérigo.

Recentemente recebi uma proposta pra ler Sobre Deuses e Seres Rastejantes - A Balada de Gundrum do queridíssimo Piaza Merighi e, por se tratar de uma fantasia nacional, o seu enredo me chamou muito a atenção e decidi mergulhar de cabeça nessa aventura.


O livro conta inicialmente a história de Gundrum, um minotauro franzino que por não ser fisicamente igual aos outros minotauros da sua espécie, acaba abandonado a própria sorte para ser criado pela bruxa da aldeia em que nasceu. Gundrum cresceu adquirindo conhecimentos místicos e com isso se tornou um verdadeiro bruxo ao mesmo tempo que os habitantes de sua aldeia, pouco a pouco, tem suas mentes e corpos tomados por uma malignidade que pretende ser um novo deus.

É aí que a fórmula de juntar diferentes raças pela mesma causa funciona perfeitamente! O pequeno minotauro decide partir em busca de respostas, juntando-se a aliados pelo caminho e adquirindo sempre mais conhecimentos de bruxaria. Andando de cidade em cidade buscando soluções, Gundrum e sua trupe descobrem que as intenções do novo deus são das piores: escravizar o continente e dominar tudo e todos.


Com personagens muito bem detalhados e um vocabulário rico, a trama se desenvolve com uma dose de humor na medida certa pra quebrar o gelo. No início senti falta da descrição mais detalhada, mas aos poucos a escrita do Piaza foi evoluindo de acordo com a narrativa e ficando perfeita no decorrer do livro.

Confesso que fiquei um tanto quanto chateado pelo fato da Morween e seu javali terem se despedido da aventura no meio do livro e decidido tomar outro rumo. Eu realmente tinha grande empatia por ela e esperava que se tornasse o meu personagem favorito da trama. Já o fato da Tombrood foi simplesmente ÉPICA e preciso deixar  isso registrado.


Eu fiquei um pouco aflita ao chegar na página 250 e o final ainda não ter se encaminhado ainda, porém o Piaza soube manobrar muito bem o desenrolar da história e a finalização da trama fluiu muito bem, deixando margem para uma continuação muito boa baseada na cobiça e ambição por mais e mais poder.

Resumindo, é um livro de ficção fantástica, com muita aventura em um mundo criado pelo próprio autor. Uma história criativa, com muitas raças e aldeias diversas sendo descritas minunciosamente, que te faz querer conhecer mais e mais a cada página virada. 

A edição é da Talentos da Literatura Brasileira, um selo da Novo Século e conta com 285 páginas em papel off-white e muitas ilustrações na abertura de cada capítulo. O livro você pode adquirir na Amazon ou pela própria editora, clicando aqui ou aqui.


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